Já aconteceu com você de amar profundamente uma pessoa, mas em determinado momento, não sentir mais vontade de fazer sexo com ela?

Eu imagino que você deve ter ficado confusa(o), se perguntando se é possível amar uma pessoa e não sentir tesão nela, mas a resposta é que SIM, isso é algo perfeitamente normal, e mais comum do que você imagina.

Isso porquê amor e desejo podem estar relacionados, mas são coisas diferentes.
E confundir os dois pode gerar culpa, ansiedade e uma pressão desnecessária dentro do relacionamento.

E a pergunta mais importante pra você se fazer nesses momentos não é "será que eu ainda amo meu parceiro(a)?", mas sim, "o que será que está acontecendo com o meu desejo?"


Vou te explicar melhor...

O amor está relacionado ao vínculo, ao afeto, à intimidade emocional, à segurança e à construção de uma vida em conjunto.

O desejo sexual, por outro lado, é influenciado por diversos fatores como, estado emocional, contexto, novidade, autoestima, estresse, cansaço, experiências anteriores e pela própria dinâmica do relacionamento.

Por isso, não existe uma regra segundo a qual: quanto mais amor tiver, mas desejo vai ter também.

É possível existir muito amor e pouco desejo. Também é possível sentir desejo sem existir um vínculo amoroso.

Essa distinção é importante para evitar conclusões precipitadas.

 

Mas se eu amo meu parceiro(a), por que não tenho vontade?

Essas são as principais possibilidades:

1. Rotina

No início de um relacionamento, existem muitas novidades, descobertas, expectativas, encontros, mensagens, ansiedade e curiosidade fazem parte da experiência, porém com o passar do tempo, a relação pode se tornar mais previsível e isso não significa necessariamente que o amor ou o tesão acabaram. Pode significar apenas que o erotismo precisa de espaço para voltar a aparecer.

 

2. Cansaço e excesso de responsabilidades

Trabalho, filhos, tarefas domésticas, preocupações financeiras e falta de tempo para si mesma(o) podem consumir grande parte da energia mental. É muito mais difícil criar disponibilidade para o desejo quando a cabeça está constantemente ocupada, pensando em outras coisas que não o sexo.

 

3. Estresse e ansiedade

O estado emocional influencia diretamente a experiência sexual. Quando a pessoa está preocupada, ansiosa ou sob grande pressão, pode ser mais difícil se concentrar nas sensações e se entregar ao momento. E existe outro problema: quanto mais a pessoa se preocupa com o fato de não estar sentindo desejo, maior pode ficar essa pressão.

Isso cria um ciclo vicioso: a falta de desejo gera uma preocupação constante e a sensação de estar sob cobrança; isso elimina a espontaneidade do relacionamento e a vontade de ter relação sexual com o(a) parceiro(a) diminui cada vez mais.

 

4. Falta de conexão fora do quarto

Para algumas pessoas, o desejo está muito relacionado à conexão emocional.

Se no seu relacionamento há discussões constantes, ressentimentos, falta de carinho ou sensação de distanciamento, isso pode afetar a sua disponibilidade para a intimidade.

Por isso, às vezes a conversa sobre sexualidade precisa começar muito antes de falar sobre o ato sexual em si.

Fazer e responder perguntas como: "Como está o nosso relacionamento?" e "Como eu me sinto próxima(o) a essa pessoa?", podem ser tão importantes (ou mais) do que falar sobre a frequência sexual.

 

Muitas vezes o problema é falta de repertório!

Esse é um ponto que merece atenção!

Alguns casais interpretam a diminuição do desejo como se a química entre eles tivesse acabado, mas talvez o casal simplesmente tenha entrado em um padrão repetitivo: mesmos horários, mesmas situações, mesmas iniciativas, mesmos estímulos, tudo sempre do mesmo jeito.

Quando tudo se torna previsível, o cérebro pode deixar de perceber aquela experiência com a mesma intensidade de novidade, e isso não significa que seja necessário buscar experiências super diferentes ou ousadas.

Às vezes, você pode recuperar o erotismo começando com pequenas mudanças, como um encontro diferente, uma conversa sobre fantasias, olhos nos olhos, uma massagem, uma lingerie, um jogo para casais ou simplesmente criar um momento de intimidade sem a obrigação de chegar ao sexo.

O desejo nem sempre aparece primeiro!

Existe uma ideia muito comum de que primeiro sentimos desejo e depois procuramos sexo, mas nem sempre funciona assim.

Para algumas pessoas, especialmente em relacionamentos de longa duração, o desejo pode surgir depois que a conexão, o carinho e a estimulação começam. Esse é o chamado desejo responsivo, porque ele surge em resposta à um estímulo prazeroso.

Isso não significa que alguém deva fazer sexo sem vontade. Consentimento continua sendo fundamental. Significa apenas que o desejo sexual não se manifesta da mesma maneira para todas as pessoas, e tá tudo bem!

E se eu sinto desejo, mas não pelo meu parceiro?

Isso também pode acontecer e essa situação pode gerar ainda mais confusão.

Sentir atração por outras pessoas não significa automaticamente que você deixou de amar seu parceiro. Atração, amor e compromisso são coisas diferentes.

Entretanto, se existe uma mudança persistente no desejo dentro do relacionamento, pode ser interessante olhar para ela com curiosidade, em vez de culpa.

Pergunte a si mesma(o):

  • Como está nossa conexão?
  • Existe ressentimento entre nós?
  • Ainda temos momentos de intimidade?
  • Existe espaço para novidade?
  • Eu me sinto desejada(o)?
  • Eu me sinto livre para expressar o que gosto?
  • Estou confortável com meu próprio corpo?
  • Como está minha vida fora do relacionamento?

As respostas podem revelar muito mais do que simplesmente "tenho ou não tenho libido".

O contexto erótico importa

O prazer e o desejo não dependem apenas do estímulo físico. A percepção de uma sensação depende do contexto.

Imagine essas duas situações:

Na primeira, você está cansada(o), preocupada(o), com a cabeça cheia e sentindo que precisa cumprir uma obrigação de fazer sexo.

Na segunda, você está tranquila(o), se sentindo desejada(o), segura(o), conectada(o) ao parceiro(a) e sem pressão para chegar a nenhum resultado.

Você pode estar no mesmo local, recebendo os mesmos estímulos, com os mesmos toques, mas a experiência provavelmente será diferente.

É por isso que o erotismo começa muito antes do quarto.

Uma mensagem carinhosa, um olhar diferente, uma conversa, um elogio, um momento de conexão ou uma experiência nova podem fazer parte desse contexto e faciliar o prazer quando finalmente chegarem ao sexo.

Mas, o que fazer quando o desejo diminui?

O primeiro passo é não transformar a falta de desejo em uma acusação. Ao invés de acusar e pensar que o amor acabou, experimente investigar a si mesma(o) e ao outro, tentando entender o que tem de diferente nessa relação que pode estar influenciando o seu desejo. 

 

E quando o casal tem desejos diferentes?

Diferenças de libido são comuns. Um parceiro pode querer sexo com mais frequência enquanto o outro deseja menos. Isso não significa automaticamente que um está certo e o outro errado. 

O desafio está em encontrar formas de conversar sobre as necessidades de ambos sem transformar sexo em obrigação ou rejeição. 

Essa negociação pode envolver a frequência, formas de carinho, momentos de intimidade e maneiras de manter a conexão erótica, mesmo que não tenha sexo propriamente dito.

O objetivo não é obrigar alguém a sentir desejo. É compreender o que cada pessoa precisa e descobrir quais possibilidades são confortáveis e consensuais para os dois.

 

Quando vale a pena procurar ajuda?

Se a mudança no desejo está causando sofrimento, conflitos importantes ou afastamento do casal, conversar com um profissional qualificado pode ajudar.

Também vale buscar avaliação profissional quando a alteração é persistente, especialmente se estiver acompanhada de dor, alterações importantes na resposta sexual ou outros sintomas físicos ou emocionais.

Não é preciso esperar que o problema se torne enorme para procurar ajuda.
Aqui na Burleska temos uma Especialista em Sexualidade, preparada pra te atender e te ajudar nessas questões. Clique aqui pra ter mais informações sobre a Consultoria em Sexualidade.

 

E, sim, você pode amar alguém e não estar com vontade de fazer sexo com essa pessoa naquele momento. Pode ser uma fase.  Pode ser consequência da rotina.  Pode estar relacionado ao estresse, à autoestima, à conexão emocional ou ao contexto.  Pode ser uma diferença natural entre os parceiros. E também pode ser um sinal de que existe algo na relação que precisa ser conversado.

O importante é não tirar uma conclusão definitiva a partir de uma única fase.
Talvez o desejo não tenha acabado, mas talvez vocês precisem descobrir novas possibilidades de prazer!